terça-feira, 13 de novembro de 2012

Coexist

Tenho certa dificuldade em entender o barulho em torno de algumas bandas novas. Pegue-se, por exemplo, o The XX, trio formado em 2008 na cidade de Londres. O primeiro trabalho, lançado em 2009, figurou em várias listas de melhores do ano e revelou para o mundo três jovens tímidos e levemente misteriosos. 

Agora, já mais acostumados com o novo status de celebridades, o trio retorna com Coexist.

Musicalmente, pouco mudou. Os vocalistas Romy Madley Croft e Oliver Sim dificilmente podem ser chamados de cantores. Eles murmuram suas letras como se estivessem permanentemente dopados. Os arranjos permanecem esparsos, quase inexistentes (o chique é dizer que isso é minimalista). O tédio percorre o disco do início ao fim. 

Na verdade, deve ser isso que traz tamanho encanto. Numa época de tanta exposição e exagero público, a postura reservada e distante do XX chama a atenção. Nesse aspecto, eu até que simpatizo com eles. Mas gostar de sua música, já é outra história...




segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Teenage Head

É difícil entender porque alguns discos passam completamente em branco pela história da música pop.

É o caso de Teenage Head da banda americana Flamin’ Groovies. Lançado originalmente em 1971, o disco pode ser comparado facilmente aos melhores momentos dos Stones ou do Dr. Feelgood. A fonte de onde todos bebem é o blues elétrico de gigantes como Muddy Waters e Howlin Wolf.

Em Teenage Head nenhum segundo é desperdiçado. Os Groovies vão direto ao ponto em rocks sensacionais como Have You Seen My Baby e High Flying Baby, mas são craques também em baladas matadoras como Yesterday Numbers e Whiskey Woman

Para quem é fã de blues rock com muita sujeira e energia, este é um disco simplesmente imprescindível.




domingo, 11 de novembro de 2012

The Lion's Roar

As irmãs Johanna e Klara são suecas, mas pelo que mostram em seu segundo disco, The Lion’s Roar, é como se tivessem nascido e se criado no interior dos Estados Unidos.

Com o primeiro disco, lançado em 2010, as garotas chamaram a atenção não apenas da crítica especializada, como também de importantes músicos contemporâneos.

The Lion’s Roar é produzido por Mike Mogis – famoso por seus trabalhos com o Bright Eyes e Monsters Of Folk –, que explora com habilidade a capacidade das irmãs de criarem belas melodias.

 O clima é pastoral e nos remete imediatamente ao country rock de Emmylou Harris, Gene Clark e The Byrds.

Ainda falta ao First Aid Kit encontrar sua verdadeira personalidade, mas, enquanto isso, elas vão encantando com sua doce musicalidade.




sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Purple Rain

Quando Purple Rain, o filme, foi lançado em 1984 eu tinha entre 13 e 14 anos e não o vi no cinema. Mas não fiquei imune ao que se poderia chamar de princemania.

Aquele ano foi inteiramente de Prince, que viu sua estreia no cinema render horrores enquanto a trilha sonora homônima vendia como água.

Acabei assistindo o filme na televisão aberta, com cortes, dublagem, propagandas e tudo mais. Detestei, obviamente.

Recentemente, revi Purple Rain num dos canais HBO sem saber direito o que esperar, afinal a memória nos prega muitas peças. Confesso que, como num filme da Boca do Lixo, achei tudo tão ruim que acabei gostando.

Figurino, maquiagem, penteados, atuações, tudo é tão absurdo que se torna impagável. A estrela Prince passa todo o tempo com cara de vítima enquanto um desfile de figuras inacreditáveis entregam performances surreais de tão horríveis.

O filme só engrena mesmo nas cenas de palco. Purple Rain, o disco, é uma das obras-primas do gênio de Minneapolis e, embora a historinha que elas contam seja meia-boca total, o desempenho do baixinho e sua banda da época, a Revolution, é de deixar qualquer um de queixo caído.

Na sequência Prince gravaria uma das músicas do século, Kiss, além de mais três discos impecáveis: Sign' O The Times, Lovesex e Diamonds And Pearls.

Depois, ele pirou na batatinha, brigou com a gravadora, trocou o nome por um símbolo e seguiu gravando discos cada vez mais fraquinhos. Mas isso já é outra história.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Tomorrow The Green Grass

O Jayhawks é uma banda que sempre nadou contra a corrente.

Em pleno anos 1990, quando as guitarras sujas do Nirvana e do Pearl Jam dominavam as paradas, o grupo de Mark Olson e Gary Louris preferiu fazer um rock mais tradicional, recuperando boa parte da herança rural da música americana e entregando ao público discos primorosos que, anos depois, influenciariam numerosos novos artistas.

Tomorrow The Green Grass é, para mim, o melhor disco que eles gravaram. É também um dos meus discos preferidos, daqueles que ouço sempre com um prazer renovado. 

Cada música é uma pequena maravilha, mas destaco a faixa de abertura, Blue, I’d Run Away, Real Light e Bad Time. São canções simplesmente perfeitas, de uma espécie rara que não enferruja nunca.

Se eles tivessem gravado apenas essas quatro músicas, já mereceriam um lugar especial no panteão do moderno rock americano.




quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Gentle Spirit

Jonathan Wilson tem uma respeitável carreira como produtor e compositor, mas ninguém poderia esperar que seu trabalho como artista solo fosse tão magnificamente elaborado.

Gentle Spirit tem 13 canções que se estendem por mais de uma hora. Cada mínimo detalhe parece ter sido pensado por Wilson para impressionar. 

A inspiração mais evidente vem do soft rock do final da década de 60, início dos 70. Crosby, Stills & Nash, Neil Young, Joni Mitchel estão presentes nas atmosferas acústicas, nos arranjos orquestrados e nas letras que falam de uma Califórnia bucólica e idealizada.

Mas há ecos também de artistas contemporâneos com Cowboy Junkies, Elliott Smith e The Jayhawks.

Não é um disco para se amar de imediato. Exige tempo, concentração e dedicação – coisas cada vez mais raras nesses tempos de quinhentas mil informações por minuto. 

Para quem se dá a chance, no entanto, a recompensa é de primeira.




terça-feira, 6 de novembro de 2012

Harlan County

Quando Harlan County foi lançado nos idos de 1969, a recepção tanto da crítica quanto do público foi gélida. O disco, assim como seu autor, rapidamente caiu no esquecimento.

Um desses crimes que a história reserva para certos artistas. Jim Ford hoje é louvado como um dos criadores do country funk, uma revisão da música caipira americana com um molejo mais black.

Seja qual for o rótulo – country, funk ou soul -, o fato é que o único LP gravado por Ford é uma pérola.

Em pouco menos de 30 minutos, ele exibe sua voz vigorosa e um talento raro para canções que instantaneamente grudam na memória.