O jornalista e crítico da Folha, André Barcinski, traz em seu blog Uma Confraria de Tolos - o meu preferido atualmente - uma postagem sobre o sumiço do inigualável David Bowie e as especulações a respeito das possíveis razões para esse recolhimento precoce.
Como todo grande fã de Bowie - e acho que não existe nenhum artista que eu tenha ouvido, admirado e amado tanto quanto Bowie - eu sinto muito sua falta.
Ao contrário de muitos medalhões de sua geração, Bowie nunca despencou criativamente ( a bem da verdade, aquele disco de meados da década de 1980, Never Let Me Down, é podre de ruim) e seus últimos trabalhos - Reality, Heathen e Hours - são muito bons, discos maduros que não soam boçais.
Nunca consigo determinar qual meu Bowie preferido. Há tantas coisas boas em todas as suas fases que reduzir-se a apenas uma obra é tarefa quase impossível. De tempos em tempos me pego ouvindo mais uns que outros.
Hunky Dory e Aladin Sane são perfeitos, exóticos, melodramáticos e espertos em sua estrutura pop.
The Rise And Fall Of Ziggy Stardust é uma clássico absoluto, um disco que pode se gabar facilmente de ser um divisor de águas. E a trilogia de Berlim - Low, Heroes e Lodger - são discos de vanguarda, verdadeiras obras de arte.
Entre tantas pérolas, um forte candidato a obra-prima absoluta é Station To Station, um disco de transição entre a fase americana e a eletrônica dos discos alemães.
São apenas seis músicas. A faixa título tem mais de dez minutos e não cansa em momento algum. Há duas baladonas de arrancar lágrimas (World On A Wing e Wild Is The Wind), uma faixa originalmente composta para Elvis Presley (Golden Years) e dois rocks que até hoje arrasariam em qualquer show do Camaleão - TV15 e Stay.
Se Bowie resolveu se aposentar de vez o azar é só nosso. Que ele curta sua merecida vadiagem.
terça-feira, 23 de outubro de 2012
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
Red
O King Crimson é uma banda inclassificável. E como toda banda que dasafia rótulos, o Crimson é fascinante.
Dizer que Robert Fripp e cia fazem rock progressivo é o caminho mais fácil. Mas também o mais enganador.
A viagem dessa banda inglesa é totalmente única e não há gênero - jazz, metal, folk e o diabo a quatro - que não passe por seu caldeirão sonoro.
Dos grandes discos lançados pelo King Crimson na década de 1970 o meu preferido é Red, de 1974.
A esquizofrenia musical que joga pelos ares a tradicional estrutura da música pop pode parecer a princípio muito experimental. Mas é só questão de tempo. Na terceira audição do disco a gente já se pega completamente embevecido.
Do insustentável peso de cada uma das canções de Red brota uma beleza única. É rock sério e quase matemático em sua perfeição. Discoteca pra lá de básica...
Dizer que Robert Fripp e cia fazem rock progressivo é o caminho mais fácil. Mas também o mais enganador.
A viagem dessa banda inglesa é totalmente única e não há gênero - jazz, metal, folk e o diabo a quatro - que não passe por seu caldeirão sonoro.
Dos grandes discos lançados pelo King Crimson na década de 1970 o meu preferido é Red, de 1974.
A esquizofrenia musical que joga pelos ares a tradicional estrutura da música pop pode parecer a princípio muito experimental. Mas é só questão de tempo. Na terceira audição do disco a gente já se pega completamente embevecido.
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
Tim Maia Racional Volume 1
Verdadeira bíblia para amantes do rock e da música pop, a
revista inglesa Uncut traz em sua última edição uma resenha sobre um disco do
nosso Tim Maia, recentemente lançada no Hemisfério Norte.
A revista ainda
dedica um pequeno box com rápidos dados autobiográficos sobre o fabuloso síndico
da MPB, destacando inclusive o rápido envolvimento de Tim com a seita Universo
em Desencanto.
Aliás ,
os discos gravados por Tim durante esse período são das coisas mais bizarras já
lançadas em terras tupiniquins. Não que sejam ruins. Pelo contrário: Tim estava
livre dos habituais excessos químicos e sua voz nunca foi tão belamente
registrada.
Além disso, os arranjos são puro funk-soul brasileiro de altíssima
qualidade. O problema é a pregação do convertido Tim. Haja “leia o livro
Universo em Desencanto” e “imunização racional” buzinando em
nossos ouvidos.
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Babel
Na minha primeira postagem aqui, disse que os ingleses do
Mumford And Sons são meros revisionistas. E são mesmo. Isso porque não há uma única
gota de originalidade no som dos moços. Mas, e daí? Isso é uma verdade para,
pelo menos, uns 80% da música de hoje em dia.
O que faz a diferença em relação a Marcus
Mumford e seus asseclas – e uma diferença significativa já que o grupo é
um fenômeno de vendas nos dois lados do Atlântico – é a dose de entrega e
de intensidade que acende o fogo de cada canção.
Como tudo que faz muito sucesso, o som do Mumford and Sons gera uma grande desconfiança. Besteira. Esta é apenas uma banda apaixonada pelo que faz. E isso já é muita coisa...
Como tudo que faz muito sucesso, o som do Mumford and Sons gera uma grande desconfiança. Besteira. Esta é apenas uma banda apaixonada pelo que faz. E isso já é muita coisa...
Sun
O Cat Power é Chan Marshall. E Chan Marshall pode ser quem ela quiser: atriz, musa fashion, namorada de celebridades hollywoodianas, ícone indie, ou, simplesmente, cantora e compositora.
É claramente essa última faceta que Marshall mostra em seu novo trabalho, Sun.
Depois do soul-blues de seus últimos discos - o ótimo The Greatest e o não-tão-ótimo-assim, Jukebox - a cantora meio que retomou a musicalidade mais simples e desnuda de seus discos mais antigos.
A novidade é que, no lugar de guitarra e piano, os arranjos agora são dominados por sintetizadores e sons eletrônicos.
Surpreendentemente, o calor a que remete o título do álbum está presente do começo ao fim. Cortesia da voz pequena porém belíssima dessa artista iluminada.
É claramente essa última faceta que Marshall mostra em seu novo trabalho, Sun.
Depois do soul-blues de seus últimos discos - o ótimo The Greatest e o não-tão-ótimo-assim, Jukebox - a cantora meio que retomou a musicalidade mais simples e desnuda de seus discos mais antigos.
A novidade é que, no lugar de guitarra e piano, os arranjos agora são dominados por sintetizadores e sons eletrônicos.
sábado, 13 de outubro de 2012
Mirage Rock
Já faz quase 10 anos que essa banda americana vem me conquistando com
seus discos simples, porém riquíssimos em harmonia e melodia. Cada canção do
Band Of Horses é uma viagem a uma América ideal, em letra e música. As referências
mais óbvias vêm do soft rock americano da década de 1970. Há ecos de Eagles,
Bread e America, convivendo com a aspereza do Crazy Horse de Neil Young e o
talento pop do Big Star.
Este Mirage Rock é o quarto capítulo na discografia do grupo e, embora
seja ligeiramente inferior aos discos anteriores, não há porque ficar triste. Eles
poderiam ter ido um pouco além de meramente xerocar seus melhores momentos, mas
quando Dumpster World e A Little Biblical saem das caixas de som a gente sente
que eles ainda farão um grande disco de rock. É só questão de tempo.
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
The Psychadelic Sounds Of The 13TH Floor Elevators
Dos numerosos discos de rock feitos sob o efeito de drogas, o primeiro álbum
da banda americana 13th Floor Elevators talvez seja um dos mais célebres. E
também um dos menos ouvidos.
A carreira do grupo do vocalista e compositor Roky
Erickson só encontrou o sucesso de público com o single You’re Gonna Miss
Me, que, aliás, abre este disco. A partir daí, uma série de desastres
comerciais, brigas e o envolvimento cada vez mais pesado de Erikson com drogas
tragou o Elevators para o mesmo limbo onde milhares de bandas americanas de
garagem passaram a habitar (confira a clássica caixa Nuggets, com quase 100
bandas virtualmente desconhecidas, inclusive o Elevators, que exploraram o lado
mais insano e selvagem da psicodelia).
Certamente, The Psychadelic Sounds Of The 13th Floor Elevators não é nenhuma obra-prima,
mas o charme desse tipo de trabalho é justamente parecer com um rascunho, sem maiores
acabamentos posteriores.
De qualquer maneira, é um retrato perfeito de uma época
em que estar chapado muitas vezes era compulsório não só para os artistas como
também para os fãs.
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